domingo, 4 de agosto de 2013
GESTÇÃO ORÇAMENTÁRIA E FINCANCEIRA
vestibular.brasilescola.com
A administração financeira e orçamentária é uma
importante ferramenta para a gestão dos recursos públicos. Por isso, para
atores sociais que compõem os conselhos, nas diferentes instâncias, é
imprescindível conhecer o ciclo orçamentário, ou seja, sua elaboração,
aprovação, execução, controle e avaliação, bem como, a programação dos
dispêndios do setor público nos aspectos físico e financeiro. Uma das bases para qualificar a atuação do
conselheiro no que tange a gestão orçamentária e financeira, é conhecer os
principais indicadores de políticas públicas, nas diversas áreas e nas três instâncias.
A elaboração do orçamento segue mediante um ciclo integrado formado pelo
Plano Plurianual (PPA), Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei
Orçamentária Anual (LOA) que formalizam e estabelecem o planejamento
estratégico do governo quanto às diretrizes, objetivos e metas referentes aos
gastos públicos e sua efetiva forma de aplicação em benefício dos cidadãos.
O documento, Indicadores de
Desenvolvimento Brasileiro, elaborado pelo
Governo Federal do Brasil, em janeiro de 2013, sobre os indicadores de
desenvolvimento brasileiro, pretende servir de “inspiração para
outros países na divulgação e monitoramento de seus resultados, bem como na
formulação de suas políticas públicas.” O documento afirma que o crescimento
brasileiro está se estabelecendo com
inclusão social e que “o Brasil é referência mundial no combate à
pobreza e à desigualdade”. Afirma ainda que “a geração expressiva de empregos e
o aumento dos salários impactam na economia cada vez mais inclusiva e na
ascensão social dos mais pobres” e que “a universalização da educação e saúde
vêm progredindo”. Segundo o documento, “as políticas afirmativas estabelecem
justiça e valorizam a diversidade da sociedade brasileira.” (BRASIL, 2013, pág.
05).
ESTADO DE COISAS E PROBLEMA POLÍTICO
blog.uniamerica.br
A proposta de
relacionar modelos de democracia à prática cotidiana dos conselhos organizados pela
sociedade brasileira nas últimas décadas a fim de implementar ações “socialmente
justas”, requer uma análise aprofundada dos conceitos básicos de cidadania, de
democracia e de conselhos. Mesmo sem conhecimento aprofundado dos conceitos, parece
evidente que a atividade política deve buscar alternativas com vistas a
satisfazer as demandas que lhe são dirigidas, tanto por atores externos como os conselhos, como pelos próprios atores políticos, e articular os apoios necessários
para essa atuação.
O processo de constituição
de uma política pública seria facilitado se seguisse a uma lógica linear que se
inicia pela identificação de um problema, seguido de formulação de alternativas
de solução para a tomada de decisão que, implementada, acaba com o problema.
Mas o fato é que o processo pode produzir novas demandas que deverão ser
transformadas em problemas. Por isso, quando se analisa um contexto social para
levantar problemas, há de se considerar a dinâmica do processo de gestão
pública.
Existem situações, por exemplo, que perduram por muito tempo, incomodando grupos e pessoas e gerando insatisfações sem chegar a mobilizar as autoridades governamentais. Trata-se de um “estado de coisas” - algo que incomoda, prejudica, gera insatisfações, mas não chega a constituir um item da agenda governamental. Considerando esse “estado de coisas” um problema recorrente a ponto de se tornar regra geral, pressupõe que esse "estado de coisas" não faz parte da agenda governamental como um "problema político". pressupóe ainda que a atuação dos fiscais da gestão pública, a sociedade civil, especialmente a organizada, como os conselhos, é ineficiente.
Nova
Mutum é um município jovem no interior de Mato Grosso. Completou 25 anos de
emancipação político-administrativa dia 4 de julho do corrente ano. A
identidade cultural de Nova Mutum é a “multiculturalidade” por ter sido e
continuar sendo constituída por migrantes de todas as regiões brasileira, com
forte destaque às regiões sul e sudeste. Fazendo uma pesquisa informal com jovens
locais, entre as diversas manifestações sobre “problemas de Nova Mutum”, pinçamos
o das praças públicas, apontadas pelos manifestantes como lugar de consumo e
tráfico de drogas e, por isso, lugar de violência, prostituição, insegurança.
Percebe-se que, em Nova Mutum, as praças deixam de desempenhar sua função natural
que é de ser um espaço livre, de bate papo, reencontro, lazer, meditação, etc.,
para se tornarem palco de ponto de drogas e até mesmo de prostituição. Pode-se
afirmar que em sua maioria, as praças de Nova Mutum se reduziram a espaços sem representatividades de convívio social para a maioria dos
munícipes.
Assim
sendo, propõe-se para Nova Mutum uma ampla discussão sobre os temas drogas,
prostituição e juventude e, com isso, contribuir para a construção de uma base sólida de
sustentação da proposta de “repaginar” as praças do município. Ou seja, se faz
mister uma reocupação desses espaços para que a sociedade mutuense possa
resgatá-los como lugares públicos, condição determinante à construção de uma
cidadania participativa.
Pode-se tomar as manifestações
artísticas e culturais de um povo como expressão de ideias e ideais e propor a
contribuição das entidades culturais constituídas em Nova Mutum com a manutenção e gestão das praças. As entidades já constituídas e ativas em
Nova Mutum são: o Centro de Tradições Gaúchas – CTG; o Centro de Cultura Matogrossense
– CCM; o Centro de Tradições Nordestinas – CTN; a Comunitá Italiana de Nova
Mutum – CINM; a Associação dos Alemães de Nova Mutum; o Centro de Convivência
do Idoso; os representantes das culturas afrodescendente e japonesa, também
presentes no município, porém sem entidade representativa. Mais recentemente e em pequeno número, chegaram a Nova Mutum haitianos, que, entrevistados, demonstraram vontade de mostrar sua cultura.
A proposta é que cada entidade assuma uma
praça, construa esculturas típicas, minimuseu histório e cultural, espaços de convivência, de festas e de desenvolvimento de atividades com crianças e adolescentes no contra-turno escolar. A entidade seria responsável pela implementação, pela manutenção e pelo controle do espaço, em parceria com o poder público municipal, oportunizando uma convivência social sadia. Os
conselhos poderiam ser o elo de ligação entre as entidades e os governantes municipais
a fim de viabilizar essa proposta, uma vez que aponta para a solução do
problema de drogas, violência e prostituição nas praças de Nova Mutum, além de ressaltar a
identidade do município: multiculttural.
Também, eventos culturais e artísticos poderiam fazer parte da agenda cultural e turística de Nova Mutum, favorecendo uma “economia criativa” e a ampliação do temário turístico de Nova Mutum, hoje focado somente no turismo tecnológico e de eventos.
Também, eventos culturais e artísticos poderiam fazer parte da agenda cultural e turística de Nova Mutum, favorecendo uma “economia criativa” e a ampliação do temário turístico de Nova Mutum, hoje focado somente no turismo tecnológico e de eventos.
Conforme apontam Marques e Aro (2013), há de se ter um entendimento
claro e objetivo de como operam as instancias federativas e seus governos e de
como os conselhos podem atuar para influir nas decisões e ações públicas, com
ética, responsabilidade, eficiência, eficácia e efetividade rumo à qualidade de
vida dos cidadãos. Esse parece ser um dos caminhos possíveis para fazer com que
um “estado de coisas” se torne um “problema políticos” e venha a ser incluído
na agenda governamental.
REFERÊNCIAS
sábado, 3 de agosto de 2013
Trio Pescuma, Henrique e Claudinho sai em turnê com a OEMT
Com o objetivo de formar novas plateias e democratizar o acesso a bens culturais, este ano, a série de Concertos Populares da Orquestra do Estado de Mato Grosso vai percorrer mais de 2 mil km levando a música de concerto para oito municípios mato-grossenses. As apresentações gratuitas, em locais públicos e ao ar livre ocorrerão no mês de agosto nas cidades de Rondonópolis (01/08), Campo Verde (02/08), Cuiabá (03/08), Sapezal (05/08), Nova Mutum(07/08), Lucas do Rio Verde (08/08), Sorriso (09/08) e Sinop(10/08). Em Nova Mutum, a abertura do evento fica por conta da Orquestra Sinfônica Jovem de Nova Mutum, às 19h.
Amparada pelo
patrocínio do Grupo André Maggi, este ano a Orquestra do Estado de Mato Grosso
estará acompanhada do trio Pescuma, Henrique & Claudinho, exibindo
verdadeiros “clássicos populares” que se tornaram referência do rasqueado
mato-grossense. O repertório, além de desempenhar temas da música
mato-grossense como A Lua e Dinheiro custa ganhar, passeia por pérolas da
música brasileira de diversas regiões como Casinha branca, de Elpídio dos
Santos e Querência amada, de
Teixerinha.
A Temporada 2013 da
série de Concertos Populares também conta com composições marcantes de Pescuma
em parceria com importantes nomes da música popular brasileira, caso de Tá
faltando alguém aqui, composta junto com Zezé Di Camargo, e Sinhá Rita,
parceria com Marques Caraí.
Dois dos maiores
sucessos do trio enriquecem ainda mais o programa da turnê: Pixé, escrita por
Moisés Martins e Pescuma, exalta tradições e costumes da cultura mato-grossense
tais quais a culinária, festejos, danças regionais e linguajar característico;
e outro importante hino popular, uma das canções mais emblemáticas do Estado, É
bem Mato Grosso, composição fruto da parceria entre Pescuma e Ulisses Serotini,
completa o repertório. “Para nós, que sempre fazemos shows com bandas, será uma
experiência única realizar esses shows junto com a Orquestra”, ressalta
Henrique.
Essas canções foram
especialmente arranjadas em 2008, quando a Orquestra, em parceria com o Trio,
gravou seu terceiro DVD, Cantos do Brasil. De forma criativa e ousada, a
Orquestra elabora, permanentemente, novos arranjos e composições para a
singular combinação entre instrumentos eruditos e regionais como a viola de
cocho, o mocho e o ganzá, consolidando uma sonoridade única.
“A nova prensagem do
DVD Cantos do Brasil motivou a retomada da parceria com o Trio nessa turnê pelo
Estado. Essas oito apresentações especiais trarão um novo espetáculo que inclui
outras peças e arranjos que não estão no DVD. É o caso de Libertango[de Astor
Piazzola], Índia e Choli [ambas de José Asunción Flores], Saudade [de Mário
Palmério], Recuerdos de Ypacarai [Demetrio Ortiz] e Chalana [de Mário Zan e
Alindo Pinto]. Serão espetáculos para serem apreciados por toda família”,
convida o maestro Leandro Carvalho.
Desde sua criação,
em 2005, a Orquestra do Estado de Mato Grosso, sob a regência do maestro
Leandro Carvalho, já realizou Concertos Populares em quase 150 cidades de 23
estados brasileiros.
Fonte: http://www.expressomt.com.br/matogrosso/trio-pescuma-henrique-e-claudinho-sai-em-turne-com-a-oemt-72390.html
Fonte: http://www.expressomt.com.br/matogrosso/trio-pescuma-henrique-e-claudinho-sai-em-turne-com-a-oemt-72390.html
QUARTO ANIVERSARIO DA ORQUESTRA SINFÔNICA JOVEM DE NOVA MUTUM-MT
O aniversário da Orquestra Sinfônica jovem de Nova Mutum (OSJNM) é tradicionalmente comemorado no mês de junho, com um concerto oficial aberto à população. Este ano, por uma razão muito especial, o vento será no mês de agosto, precisamente no dia 7, às 19 horas, em frente à Prefeitura de Nova Mutum. A OSJNM irá se apresentar antes da Orquestra do Estado de Mato Grosso (OEMT), que traz a Nova Mutum a temporada “Concertos Populares 2013”, com participação especial do trio Pescuma, Henrique e Claudinho.
A programação
conjunta é resultado de uma parceria entre a Associação Cultural e Social de
Nova Mutum (mantenedora da OSJNM) e a Prefeitura Municipal. A OEMT vem ao
município através da Prefeitura, com apoio do Governo de Mato Grosso e do Grupo
André Maggi. “Aproveitamos a agenda da grandiosa OEMT, regida pelo ilustre
maestro Leandro Carvalho, um dos idealizadores do nosso projeto, para propor essa
parceria que tanto engrandece o nosso evento. Agradecemos a Prefeitura de Nova
Mutum, que é um dos nossos mantenedores, por encampar nossa iniciativa e
viabilizar a parceria”, destaca o presidente da Associação, Luiz Divino da
Silva.
O VIII Concerto Oficial
da OSJNM apresentará novidades no repertório, guardadas como surpresa para a
população. Os maestros Murilo Alves (coordenador pedagógico) e Edmar nascimento
(coordenador geral) irão dividir a regência da OSJNM, que completou quatro anos
em maio. A partir da semana que vem a orquestra intensifica os ensaios, para
dar o mlehor no palco e demonstrar a evolução conquistada em mais um ano de
estudos.
Assessoria de
imprensa – OSJNM
Agência Folk –
Comunicação integrada
Tiago Franz – Jornalista
3621SC
Fonte:
https://www.facebook.com/#!/osjnm?fref=ts
terça-feira, 30 de julho de 2013
ANÁLISE DOS CONSELHOS GESTORES MUNICIPAIS
Maria da Glória Gohn, Profa. Dra.
UNINOVE, Profa. Titular UNICAMP
e Pesquisadora CNPq, analisa as formas
organizacionais, as possibilidades e as tendências dessa participação,
na relação sociedade/estado, destacando o espaço dos conselhos a partir da
apresentação de alguns conceitos que tem sido utilizados no debate
contemporâneo sobre a participação da sociedade civil em esferas públicas.
O texto aborda também
as Organizações Sociais (OSs) e as Organizações da Sociedade Civil de Interesse
Público (OSCIPs), afirmando que a participação da sociedade civil na esfera
pública - via conselhos e outras formas institucionalizadas - não é para
substituir o Estado, mas para lutar para que este cumpra seu dever: propiciar
educação, saúde e demais serviços sociais com qualidade, e para todos.
Para conselheiros, é
de significativa importância o que Maria da Glória fundamentou sobre a
participação da sociedade civil em esferas públicas e os conceitos de sociedade
civil, de esfera pública, de empoderamento, de capital social e de participação.
Apreender esses conceitos é primordial para uma atuação qualificada do
conselheiro.
Sobre sociedade civil,
Gohn destaca que o conceito passou por uma trajetória histórica até ser definitivamente
introduzido no vocabulário político corrente e ser objeto de elaboração teórica
com o sinônimo de participação e organização da população civil do país em
lutas com práticas coletivas voltadas para a reivindicação de bens, serviços e
direitos sociopolíticos, negados pelo regime político vigente. Gohn ainda diz
que, nessa época, o principal eixo articulador da sociedade civil foi dado pela
noção de autonomia (organizar-se independentemente do estado) e por um discurso
estratégico para evitar alianças consideradas espúrias.
A autora afirma que o
princípio da auto-determinação, componente fundamental num processo de
autonomia, era exercitado de forma contraditória: frente à sociedade mais geral
e ao estado, os movimentos, especialmente os populares, apresentavam-se como
entes autônomos, com auto-determinação. Já a democracia direta e participativa,
exercitada de forma autônoma, era tida como o modelo ideal para a construção de
uma contra hegemonia ao poder dominante.
Gohn se fundamenta em Sader (1988)
para destacar os movimentos sociais populares urbanos reivindicatórios de bens
e serviços públicos e por terra e moradia, assim como em luta pelo
reconhecimento de direitos sociais e culturais modernos: raça, gênero, sexo,
qualidade de vida, meio ambiente, segurança, direitos humanos etc. Esse cenário
ampliou o leque dos sujeitos históricos em luta como os movimentos, as associações,
as instituições e as Organizações não governamentais (ONGs), além dos
sindicatos e partidos políticos já atuantes.
A autora descreve o
surgimento da figura do “sujeito social histórico”, centrado nos setores
populares seguido de uma pluralidade de novos atores, onde a autonomia dos
membros da sociedade civil deixa de ser um eixo estruturante fundamental para a
construção de uma sociedade democrática.
A questão da cidadania,
para Gohn, ganha novo contorno -
como cidadania coletiva – e diz que extrapola a demanda pelos direitos civis
para incluir outros direitos, como os direitos sociais básicos, elementares, de
primeira geração, contidos nas demandas por casa, abrigo e comida; como
direitos sociais modernos, relativos a condições de trabalho, educação, saúde etc.
A ressignificação da cidadania
como participação civil, trata não apenas dos direitos, mas também de deveres. Nessa
afirmação de Gohn, pode-se visualizar melhor a atuação dos conselheiros, porque
os deveres, na participação civil, pressupõe a responsabilização dos cidadãos em
arenas públicas (em colegiados como os conselhos, por exemplo), via parcerias
nas políticas sociais governamentais.
Valendo-se dos estudos
de Putnam (1993), Gohn apresenta
o conceito de empobrcimento relacionado à nova significação do conceito de “capital
social” que, segundo Putman, deve ser analisado por analogia com as noções de
capital físico e capital humano. Um cenário em que novos temas e
ressignificação de velhos temas surgem para alertar que ser apenas “ativista” não é mais suficiente para qualificar o
militante para o desempenho de suas tarefas. Ele deve conhecer também a comunidade
onde atua e ser sensível aos seus problemas.
Assim, Gohn sustenta suas
afirmações sobre a “participação” em três pressupostos:
a. Uma
sociedade democrática só é possível via o caminho da participação dos
indivíduos e grupos sociais organizados. b. Não se muda a sociedade apenas com
a participação no plano local, micro, mas é a partir do plano micro que se dá o
processo de mudança e transformação na sociedade. c. É no plano local,
especialmente num dado território, que se concentram as energias e forças
sociais da comunidade, constituindo o poder local daquela região; no local onde
ocorrem as experiências, ele é a fonte do verdadeiro capital social, aquele que
nasce e se alimenta da solidariedade como valor humano [...]. (GOHN, 2004, pag.
5).
Considerando que a análise de Gohn acerca da trajetória do
associativismo brasileiro foi feita em 2004, um contexto social diferente do
atual (quase dez anos depois), alguns pontos ainda convergem, como: os
problemas sociais graves que necessitam respostas urgentes e o setor de perfil
corporativo atuando na economia social segundo as regras da economia de mercado
predominando sobre os movimentos que trabalham de forma processual, com perfil
democrático e participativo e por isso com impacto na realidade lento.
Gohn diz que a importância se faz para democratizar a gestão da coisa pública;
para inverter as prioridades das administrações no sentido de políticas que
atendam não apenas as questões emergências, a partir do espólio de recursos
miseráveis destinados às áreas sociais, ressaltando o protagonismo de alguns
atores da sociedade civil no que se refere às políticas públicas, como os Movimentos
Sociais e as ONGs.
Registrou-se, no texto de Gohn, a crise dos Movimentos Sociais e
das ONGs na década de 1990, com tensões entre as lideranças na condução dos
movimentos urbanos, principalmente em relação a questões como:
institucionalização, participação ou não em conselhos propostos ou criados pelo
poder público, participação em programas governamentais, etc. apontou ainda
como fator de enfraquecimento o fato de várias lideranças ascenderem a cargos
no poder público, ou ao parlamento.
Para a autora, os novos tempos (considerando a década de 1990), de
desemprego e aumento da violência urbana, assim como o crescimento de redes de
poder paralelo nas regiões pobres, ligados ao narcotráfico de drogas e outros, também
colaboraram para desmotivar a população necessitada para participar de reuniões
ou outras atividades dos movimentos. Registrou ainda que a nova política de
distribuição e gestão dos fundos públicos, em parceria com a sociedade
organizada, focalizados não em áreas sociais (como moradia, saúde, educação
etc.), mas em projetos pontualizados, como crianças, jovens, mulheres etc.,
contribuiu para desorganizar as antigas formas dos movimentos fazerem suas
demandas e reivindicações.
Quanto ao serviço público prestado à população, Gohn observa um
movimento contraditório: de um lado, um avanço pelo fato de se ter contatos
diretos com agentes comunitários que conhecem a realidade dos problemas locais.
De outro, esse “atendimento personalizado” se inscreve num cenário de escassez
de recursos humanos e material. A autora fundamentou o exposto no pensamento de
Crevelim (2004) que concluiu que há limites no processo de participação dado
não apenas pela falta de infra-estrutura, mas falta também uma cultura de
participação, assim como falta vontade política para que a cidadania de fato
seja exercida.
Para entender o papel dos diferentes tipos de conselhos que
existem no Brasil, Gohn aponta a necessidade de entendermos a reforma do Estado
e o que são as Organizações Sociais (OSs) e as Organizações da Sociedade Civil
de Interesse Público (OSCIPs). No rol dessas reformas, a autora destaca a Reforma
do Estado elaborada pelo ex-Ministro Bresser Pereira que previa que as
políticas públicas para as áreas de Cultura, Educação, Lazer, Esporte, Ciência
e Tecnologia viessem a ser apenas gerenciadas e não mais executadas pelo
Estado. A referida Reforma do Estado não incluiu os Conselhos Gestores no
processo de contratação das OSs constituídas para gerirem os serviços públicos
e as atividades publicizadas.
Os Conselhos gestores, mesmo com poder deliberativo, teriam a
função de analisar o resultado de um processo do qual eles não participaram no
início, na própria constituição da OS. Contudo, a médio prazo, os serviços na
área social que saírem da órbita de execução direta pelo Estado deverão (contexto
2004) ser de responsabilidade das OSs e dos Conselhos de Gestão que estas precisam
instalar. Os contratos de gestão firmados por um determinado período também
teriam um Conselho relacionado com o Conselho do Município, na área social
correspondente.
Por isso, Gohn diz que os conselheiros devem ter formação e
consciência crítica, para terem como meta o entendimento do processo onde se
inserem; entenderem a questão dos fundos financeiros públicos e os critérios que
deveriam pautar seu uso para a eliminação da pobreza e das desigualdades
sociais, para o atendimento das necessidades da população, segundo escalas de
urgências e emergências. Aponta a esfera pública como um espaço para os
cidadãos organizados exercerem fiscalização e vigilância sobre os poderes
públicos constituídos via eleições, concursos ou critérios consuetudinários.
Diz ainda que a ampliação da esfera pública contribui para a formação de
consensos alcançados argumentativamente, numa gestão social compartilhada,
gestada a partir de exercícios públicos deliberativos.
Por fim, Maria da
Glória Gohn altera
para uma cultura de participação da sociedade civil, no sentido dos grupos
progressistas priorizarem pautas coletivas, deixando de lado “picuinhas” e
divergências em torno de interesses particulares e corporativistas e atuarem
nos espaços públicos da sociedade civil laços de pertencimento social,
projetos, valores e visões de mundo cidadãos a fim de que os seus resultados e
impactos promovam avanços na democratização das relações povo-governo e
mudanças sociais significativas em direção a projetos emancipatórios, que
contemplem a justiça, a liberdade, a solidariedade e a igualdade com respeito
às diferenças. Ou seja, PARTICIPAÇÃO CIDADÃ, em espaços como os Conselhos, que são
uma das modalidades para o exercício da cidadania.
REFERÊNCIAS
GOHN, Maria da Glória. Empoderamento e participação da comunidade
em políticas sociais.UNINOVE/UNICAMP. Pesquisadora CNPq – 2004.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
MODELO DE DEMOCRACIA MAIS APROPRIADO AOS CONSELHOS E À PRÁTICA COTIDIANA
A arte é uma das formas mais democráticas de expressar
os nossos sentimentos.
A
Dança", Henry Matisse, 1910, óleo sobre tela, Museu de São Petesburgo.
A proposta de relacionar modelos de democracia à prática cotidiana dos conselhos organizados na pela sociedade brasileira nas últimas décadas a fim de implementar ações “socialmente justas”, requer uma analise aprofundada dos conceitos básicos de cidadania, de democracia e de conselhos.
Por ter sido concebido
pela teoria jurídica dominante, o termo cidadania é associado ao direito de
votar e ser votado e confundido com o direito político e com noções de
democracia e de direitos humanos. Para Bobbio (1986), uma definição mínima de
democracia requer que
Por ter sido concebido
pela teoria jurídica dominante, o termo cidadania é associado ao direito de
votar e ser votado e confundido com o direito político e com noções de
democracia e de direitos humanos. Para Bobbio (1986), uma definição mínima de
democracia requer que
[...] aqueles que são
chamados a decidir ou a eleger os que deverão decidir sejam colocados diante
das alternativas reais e postos em condição de poder escolher uma ou outra. Para que se realize esta condição é necessário que aos chamados a
decidir sejam garantidos os assim denominados direitos de liberdade, de
opinião, de expressão das próprias opiniões, de reunião, de associação, etc.
[...]. (BOBBIO, 1986, p. 20).
Sousa e Silva (2013)
descrevem cinco modelos de democracia historicamente implementados: democracia
direta, democracia representativa, democracia participativa, democracia radical
e democracia deliberativa. Os autores ainda afirmam que os conselhos são uma
das formas mais antigas de organização e deliberação coletiva. Com base nisso,
pode-se dizer que os modelos de democracia mais apropriados aos conselhos e a
sua prática cotidiana são os da democracia participativa e deliberativa.
Participativa porque é
“caracterizada por eleições livres e periódicas, nas quais o cidadão tem
participação como representante político e representado que faz suas escolhas,
há centralidade à participação dos processos de decisões políticas por via da
representação e composição de órgãos colegiados”. Deliberativa porque “as
decisões devem ser tomadas por todos os que são diretamente afetados pela
decisões em questão e o processo decisório deve acontecer por meio de
apresentação de argumentos pelos envolvidos, considerando valores de
imparcialidade e racionalidade”. (SOUSA e SILVA, 2013, pag. 30).
Considerando “Estado” nos
conceito da Constituição Federal Brasileira de 1988, que diz, em seu Art. 1º,
Parágrafo único, que “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição” e tem
como fundamentos “a soberania; a cidadania; a dignidade da pessoa humana; os
valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; e o pluralismo político”, o
desafio para os conselhos organizados na sociedade brasileira é superar as
contradições do sistema capitalista a fim de que a democracia materialize
substancialmente no que se refere à igualdade política, econômica, cultural e
social.
REFERÊNCIAS
SOUSA, Bartolomeu José Ribeiro de; SILVA,
Rose Cléia Ramos da. Estado, participação e controle social. Material de apoio do curso de extensão
- os conselhos de políticas públicas na efetivação do controle social em Mato
Grosso - Módulo I - Ministério
da Educação; Universidade Federal de Mato Grosso; Instituto de Educação
Departamento de Ensino e Organização Escolar. Mato Grosso, 2013.
ANDRADE, Vera Regina Pereira de. A
Reconstrução do Conceito Liberal de Cidadania: da Cidadania Moldada pela
Democracia à Cidadania Moldando a Democracia. In.: OLIVEIRA JÚNIOR, José
Alcebíades de. O Poder das Metáforas – Homenagem aos 35 Anos de docência de
Luis Alberto Warat. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998a.
BOBBIO, Norberto. O Futuro da Democracia –
Uma Defesa das Regras do Jogo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
QUARESMA, Regina. Participação Política,
Cidadania e Inclusão Social. In.:
QUARESMA, Regina e OLIVEIRA, Maria Lúcia de
Paula (Orgs.). Direito Constitucional Brasileiro: Perspectivas e
Controvérsias Contemporâneas. Rio de Janeiro: Forense, 2006.
[...] aqueles que são
chamados a decidir ou a eleger os que deverão decidir sejam colocados diante
das alternativas reais e postos em condição de poder escolher uma ou outra. Para que se realize esta condição é necessário que aos chamados a
decidir sejam garantidos os assim denominados direitos de liberdade, de
opinião, de expressão das próprias opiniões, de reunião, de associação, etc.
[...]. (BOBBIO, 1986, p. 20).
Sousa e Silva (2013)
descrevem cinco modelos de democracia historicamente implementados: democracia
direta, democracia representativa, democracia participativa, democracia radical
e democracia deliberativa. Os autores ainda afirmam que os conselhos são uma
das formas mais antigas de organização e deliberação coletiva. Com base nisso,
pode-se dizer que os modelos de democracia mais apropriados aos conselhos e a
sua prática cotidiana são os da democracia participativa e deliberativa.
Participativa porque é
“caracterizada por eleições livres e periódicas, nas quais o cidadão tem
participação como representante político e representado que faz suas escolhas,
há centralidade à participação dos processos de decisões políticas por via da
representação e composição de órgãos colegiados”. Deliberativa porque “as
decisões devem ser tomadas por todos os que são diretamente afetados pela
decisões em questão e o processo decisório deve acontecer por meio de
apresentação de argumentos pelos envolvidos, considerando valores de
imparcialidade e racionalidade”. (SOUSA e SILVA, 2013, pag. 30).
Considerando “Estado” nos
conceito da Constituição Federal Brasileira de 1988, que diz, em seu Art. 1º,
Parágrafo único, que “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição” e tem
como fundamentos “a soberania; a cidadania; a dignidade da pessoa humana; os
valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; e o pluralismo político”, o
desafio para os conselhos organizados na sociedade brasileira é superar as
contradições do sistema capitalista a fim de que a democracia materialize
substancialmente no que se refere à igualdade política, econômica, cultural e
social.
REFERÊNCIAS
SOUSA, Bartolomeu José Ribeiro de; SILVA, Rose Cléia Ramos da. Estado, participação e controle social. Material de apoio do curso de extensão - os conselhos de políticas públicas na efetivação do controle social em Mato Grosso - Módulo I - Ministério da Educação; Universidade Federal de Mato Grosso; Instituto de Educação Departamento de Ensino e Organização Escolar. Mato Grosso, 2013.
ANDRADE, Vera Regina Pereira de. A
Reconstrução do Conceito Liberal de Cidadania: da Cidadania Moldada pela
Democracia à Cidadania Moldando a Democracia. In.: OLIVEIRA JÚNIOR, José
Alcebíades de. O Poder das Metáforas – Homenagem aos 35 Anos de docência de
Luis Alberto Warat. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998a.
BOBBIO, Norberto. O Futuro da Democracia – Uma Defesa das Regras do Jogo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
QUARESMA, Regina. Participação Política, Cidadania e Inclusão Social. In.:
QUARESMA, Regina e OLIVEIRA, Maria Lúcia de Paula (Orgs.). Direito Constitucional Brasileiro: Perspectivas e Controvérsias Contemporâneas. Rio de Janeiro: Forense, 2006.
BOBBIO, Norberto. O Futuro da Democracia – Uma Defesa das Regras do Jogo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
QUARESMA, Regina. Participação Política, Cidadania e Inclusão Social. In.:
QUARESMA, Regina e OLIVEIRA, Maria Lúcia de Paula (Orgs.). Direito Constitucional Brasileiro: Perspectivas e Controvérsias Contemporâneas. Rio de Janeiro: Forense, 2006.
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Narrativas de Distopia: Reflexões sobre o Mundo Atual na Ficção
1. O Reflexo Distorcido: Distopias servem como espelhos distorcidos da sociedade atual. Ao explorar mundos sombrios e opressivos, os escrito...
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Um convite especial para você. Já anote na sua agenda. 8 passos para transformar uma idéia em livro. Dia 21/12/2022 às 20hs, no meu instagra...
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CAFÉ COM LENI em UPA LUPA e KOFFE BEER Após circular pela região, CAFÉ COM LENI volta a ser realizado em Sinop, recebendo...






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