[...] Leni é uma pessoa que gosta de estar em lugares que a alimentem – criativa, social, espiritual e literalmente [...].
Leni Chiarello Ziliotto é casada com
Altamir Ziliotto desde o dia 20 de abril de 1985. Têm 4 filhos: Altamir Júnior,
Fernanda, Camila (in memória) e Virginio. De Altamir Junior, os netos Artur e
André. De Fernanda, os netos Davi, Antonela e Afonso.
Terceira de dez filhos de Erzelino
Chiarello e Maria Paula Taufer Chiarello, Leni é natural de Guaporé-RS. Residiu
em Passo Fundo-RS, em Serafina Corrêa-RS e em Nova Mutum-MT. Atualmente, reside
em Sinop-MT.
Possui Graduação em Ciências (UPF
1985), Graduação em Biologia (UPF 1988) e graduação em Pedagogia (UNINTER 2020).
É Especialista em Supervisão Escolar (PUC/RS 2003), Especialista em Educação a
Distância (SENAC/RS 2007) e Especialista em Educação Ambiental (UCB/RJ 2007). É
Mestre em Gestão e Auditoria Ambiental (Universidad de León/Espanha 2012).
Cursou as 12 disciplinas do Doutorado em Epistemologia e História da Ciência,
(UNTREF/Buenos Aires/2011 a 2013).
Escritora, é autora de treze livros,
é organizadora de livros com artigos acadêmicos e de cunho literário, e
participou de mais de 20 coletâneas, nacionais e internacionais. Fundou a
cadeira 21 na Academia Sinopense de Ciências e Letras, com Érico Veríssimo seu
Patrono, e é Membro Efetivo da Associação Gaúcha dos Escritores Independentes.
É palestrante nos temas da educação,
do meio ambiente e da literatura, e ministra oficinas de leitura e literatura.
Organiza eventos nas áreas da educação e da cultura. Coordena projetos de
produção cinematográfica de curtas-metragens e faz curadoria de exposições de
artes plásticas.
Recebeu em 2018, da Assembleia
Legislativa do Estado de Mato Grosso, o título de Cidadã Mato-Grossense pelo
relevante trabalho de pesquisa e pela divulgação do estado de Mato Grosso no
exterior. Recebeu também, da Câmara Municipal de Vereadores de Sinop, pelo
relevante trabalho de educação, cultura e pesquisa, duas moções de aplauso e a
Comenda Colonizador Ênio Pepino.
Quem conhece Leni, sabe que ela adora
escrever e que, se pudesse, passaria a maior parte do seu tempo escrevendo, ou
brincando com as letras - sua paixão - como prefere dizer. Aos doze anos, suas
veias foram invadidas pela poética. Desde então, é debruçada sobre o papel -
hoje, o computador - que continua fazendo do poetar o seu momento de
libertação, de invadir seus sonhos e trazê-los para os versos. Segundo seus
leitores, a escrita de Leni em suas
obras literárias é capaz de dialogar bem com qualquer faixa etária e é uma
leitura que prende até o final, uma escrita leve e um enredo simples, cujo
cenário é alternativo e próximo da realidade, provando ser uma literatura
particular e inovadora que traz representatividade tanto para as crianças e os
jovens quanto para os adultos.
- Metamorfose. 2001
- Metamorfosi. 2001
- Mosaico de Palavras. 2004
- Sonhos Vividos. 2005
- Amor meu sol. 2006
- Sabores. 2008
- Mosaico de Palavras. 2ª ed. 2010
- Carolina fechou uma porta. 2011
- Carolina fechou uma porta. 2ª ed. 2012
- Carolina fechou uma porta. 3ª ed. 2012
- Carolina Conectada. 2013
- O Brilho de Estrelas Imortais. Vol.1. 2014
- As Cores e os Amores. 2015.
- As Cores e os Amores. 2ª ed. 2017
- O Brilho de Estrelas Imortais. Vol. 2. 2017
- Uma floresta, uma menina e um manequim. 2017
- Uma floresta, uma menina e um manequim. 2ª ed. 2018
- Saga de Gigantes. 2018
- Saga de Gigantes. 2ª ed. 2018
- Nossa Senhora Mãe da Juventude. 2018
- Nossa Senhora Mãe da Juventude. 2ª ed. 2019
- As Cores e os Amores. 3ª ed. 2019
- Uma floresta, uma menina e um manequim 3ª ed. 2019
- A forest, a girl and a mannequin – 2019
PARTICIPAÇÃO
EM COLETÂNEAS
- Antologia Scortecci;
- Voo Independente AGEI (6 edições);
- Tempo Definido;
- Tempo de Poesia;
- Livre Pensador;
- Antologia Poética AVBL (2 edições);
- Antologia Literária Virtualismo (4 edições);
- Antologia Internacional Roda-Mundo, Roda-Gigante (5 edições);
- Delicatta (2 edições);
- Poetas Em/Cena;
- Poesia em movimento;
- Encontros e Desencontros Hoje;
- O Homem, O Projeto de Mundo (em Principado de Liechtenstein);
- O Silêncio das Palavras;
- Revista LiteraLivre;
- Revista Pixé (6 edições);
- Antologia de Escritores Contemporâneos (10 edições);
- Poetas Noturnos.
ORGANIZAÇÃO DE OBRAS
- Gestão Escolar (2005);
- Hai Cais Antologia (2005);
- Contos de Fadas Contemporâneos (2005);
- Psicopedagogia Vol. I e Vol. II (2006);
- Poemas e contos (2016);
- Ser de Visão – Vol. 1 e 2 – (2017 e 2019).
EXPOSIÇÕES
- Interculturalidade;
- Pioneirismo;
- As Cores e os Amores;
- Saga de Gigantes;
- Desbravar a terra e promover a vida.
CINEMA
- Festival de Cinema Regina Pacis (3 edições – 2015/2017/2019)
- Cinema no Mato – polo Sinop/MT (2018)
Editora AÇÕES LITERÁRIAS fala com a
Escritora Leni Zilioto, homenageada na Antologia Escritores Contemporâneos,
volume 4:
1 - AL: Como foi o seu primeiro contato
com a literatura?
R: Leni: Minha mãe, professora, e meu
professor nos anos iniciais da escola, com os clássicos: Chapeuzinho Vermelho,
A Cinderela, A Lebre e a Tartaruga, e outros. Lembro, que à época, anos 70, as
escolas do interior, no Rio Grande do Sul, recebiam das Secretarias de Educação
os livros de leitura com um flanelógrafo e as imagens dos personagens em
feltro, com lixa no seu verso, para o professor ir colocando as imagens no
flanelógrafo à medida que ia contando a história. Um tipo de Youtube da época
(risos). O dia que professora(a) contava história era meu dia preferido de
aula.
2 - AL: Desde quando a senhora escreve literatura?
R: Leni: tenho registros em caderninhos e agendas
desde meus 12 anos de idade, quando fui matriculada em um Colégio Confessional
Católico em Casca, no RS, e com medo de que as irmãs encontrassem meus poemas,
eu escrevia poemas para Jesus. Já aos 15 anos tenho registros dos meus
primeiros poemas de amor, de paixão, próprio de adolescente.
3 - AL: Fale-nos um pouco do seu trajeto literário.
R: Leni: Então, desde que me lembro,
escrevo. Ao mesmo tempo, a cultura sulista de descendência italiana, pautada em
valores mais preponderantes como estudar, trabalhar, ganhar bastante dinheiro,
comprar sua casa, construir sua linda família. Essa cultura, além do contexto
sul e descendência, tem a questão tempo/época, ou seja, anos 70 e início de 80.
Por isso, eu estudei, cursei faculdade, me profissionalizei, me estabeleci como
profissional da educação, casei, construímos nossa casa e tivemos nossos
filhos. Tudo como manda o figurino. O que o figurino não dizia e eu mesmo assim
fui fazendo, foi escrever. Aluna na faculdade, namorando, trabalhando, tendo os
filhos, fui rabiscando agendas, cadernos, guardanapos de papel, onde eu pudesse,
registrava meus pensamentos que sufocavam e eu tinha que soltá-los para não
explodir (ou implodir). Poemas. Basicamente poemas. Minha filha Fernanda e
minha amiga Stela Maris, em um dos meus aniversários, me deram de presente um
CD com músicas do John Lennon e um poema escrito na capa do CD. Ao ler o poema,
fiquei intrigada, dizendo, “eu conheço esse poema, mas não lembro de quem é”.
Até as duas revelarem que mexeram em meus escritos e decidiram colocar um poema
meu na capa do CD. Disseram mais: “você deve publicar um livro com esses seus
poemas”. Aquilo ficou latente até o dia que decidi, então, transformar os
“rabiscos” em livro. Isso foi em 2001, quando lancei meu primeiro livro,
Metamorfose, que foi traduzido para o italiano, Metamorfosi, na Jornada Nacional
de Literatura em Passo Fundo, oportunidade que tive de fazer coro com Afonso
Romano de Santana, Matha Medeiros, Marina Colassanti, Ziraldo e Inácio de
Loyola Brandão. Acredito que com padrinhos desse gabarito, foi um início
abençoado. Ao lançar meu primeiro livro, me propus ao desafio de, se escritora,
lançar no mínimo um livro a cada dois anos. O ritmo não seguiu essa lógica,
demorando três para lançar o segundo. Em contrapartida, a partir de 2010 foi
praticamente um livro por ano e, a partir de 2017, mais de um livro por ano. Mosaico
de Palavras foi lançado na Feira do Livro de Porto Alegre no mesmo palco de
autógrafos, ao lado do Patrono da Feira, Armindo Trevisan. Amor Meu Sol, também
na feira do Livro de POA, foi no palco de autógrafos ao lado de Rubem Alves.
Trocamos nossas obras. Emocionante para uma escritora e educadora! Entre as
Jornadas de Literatura em Passo Fundo e as Feiras do Livro de Porto Alegre, fui
construindo meu caminho literário, até chegar a Nova Mutum, em 2011, onde
lancei meu primeiro livro em Mato Grosso, Carolina Fechou uma Porta, que foi
para três edições em um ano e lançado na Biblioteca Nacional de Nova Iorque,
sob a curadoria do Professor Dr. Domício Coutinho. Em Nova Mutum lancei também
Carolina Conectada e o livro das mulheres, O Brilho de Estrelas Imortais Volume
1 (2014), projeto estendido para Sinop com o Volume 2 (2017). Ao fixar residência em Sinop, lancei em 2015
meu primeiro livro na cidade, onde atualmente me brinda com essa honrosa
homenagem e fui admitida na Academia Sinopense de Ciências e Letras, ao qual
sou muito grata. Desde então, minha
trajetória literária tem base, apoio, sustento, inspiração, ambientação, enfim,
além da imaginação, o cenário do norte mato-grossense, especialmente Sinop e
região.
4 - AL: Como é o seu processo de escrita? Uma vez que você compilou notas suficientes,
é difícil começar? Como você se move da pesquisa para a escrita?
R: Leni: Eu acredito e prezo pela boa
escrita. Ou seja, que o escritor, no mínimo seja leitor. Eu lembro que ao
entrar para a sexta série do ginásio, ao ter acesso a uma gigantesca biblioteca
no colégio em Casca, eu devorava livros. Acredito que eu lia mais de 4 livros
por mês. Lembro-me que em uma gincana escolar, o desafio era responder à
pergunta: Quem é o autor do livro “Olhai os Lírios do Campo”? Eu me levantei na
arquibancada onde havia mais de 500 alunos e, de forma natural, respondi: Érico
Veríssimo! O ginásio fez silêncio, porque ninguém mais respondeu. Eu acredito
que se não a única, eram poucos que sabiam responder. Lembro-me que à época até
eu me surpreendi, porque eu achava que quase todos saberiam responder, ou seja,
ler deveria ser um hábito de todos. Ao cursar ensino médio em Guaporé, também
em uma grande escola de freiras e responsável pela biblioteca, eu lia coleções
inteiras, especialmente os proibidos, como Jorge Amado (se a freira, Irmã
Palmira, estiver ainda viva, saberá que infringi essa norma). Eram proibidos e
eu deveria escondê-los para os alunos não lerem. Aí então que eu lia e dava
para meus amigos lerem. O que eu quero dizer com isso, que a maior formação de
um escritor, é a leitura. Já, formação acadêmica, não tenho. Sou Bióloga com
especialização em Educação Ambiental e Mestrado em Gestão e Auditoria Ambiental.
Cursos específicos, nunca fiz. Deveria fazer? Acredito que sim, melhoraria
ainda mais minha escrita. Ao mesmo tempo, ao ler meus poemas escritos aos meus
12/13 anos, me faz acreditar que Platão me define um pouco quando diz que poeta
é por vocação e não por formação. Haja vista Pablo Neruda e Vinicius de Moraes
que, acredito tiveram a vocação e a formação pela leitura, não necessariamente
acadêmica. Esses dois são meus gurus na poesia, além de Elisa Lucinda e Afonso
Romano de Santana. Percebo que me identifico com eles, mas não os leio para
escrever como eles. Ou seja, gosto do estilo deles, li e leio seus poemas, mas
não os utilizo para escrever os meus poemas. É diferente, não sei bem explicar
isso. Em 2006, quando viajei ao Chile, conheci os jardins e a casa (inclusive a
parte interna) de Pablo Neruda, em Santiago; tem fotos do Vinicius na parede do
escritório dele. Foi uma experiência quase que sagrada. Em meus livros
biográficos, não há interferência minha; é fidedigno à entrevista dos
personagens, em respeito à proposta: sua história de vida. Obviamente que eu
dou um jeito de fazer a poesia aparecer, escrevendo um poema para a pessoa
entrevistada. Até no meu livro infantil tem poesia. Também, arrisquei um estilo
jornalístico em um livro encomendado por um padre sobre a devoção Nossa Senhora
Mãe da Juventude. Não sei se deu certo; quem deve dizer é o leitor (risos). Agora,
acredito que para responder efetivamente à pergunta que é sobre o processo de
criação, devo dizer que eu leio, estudo, pesquiso, entrevisto, mas minha
inspiração são dois elementos básicos: a noite e a natureza. A natureza, de
dia, claro. Quando eu me conecto com a natureza, preciso estar munida de papel e
caneta. E a noite, acompanhada por vinho tinto seco e chocolate, eu organizo as
ideias, os estudos, as pesquisas, as inspirações, os Vinícius e os Nerudas que
baixam em mim para produzir. Acredito que se eu tiver que ter meu escritório de
escrita, funcionaria a noite ou ao ar livre, com muito verde ou mar.
5 - AL: De onde vêm suas ideias? Há um conjunto de hábitos que você cultiva
para se manter criativa? Como funciona o seu processo de criação?
R: Leni: Poxa, eu acredito que uma parte
da resposta está na questão anterior. O que eu posso acrescentar aqui,
aproveitando o espaço, é dizer que o hábito de comprar livros é um, o de ler
muito é outro, e escrever mais ainda é outro. Antes, muita caneta e cadernos.
Hoje o computador. Leio. Leio. Leio. Escrevo. Escrevo. Escrevo. Além disso, uma
proposta de não passar mais de uma semana sem escrever algo que seja conteúdo
para um de meus próximos livros. E nesses momentos de escrita, a natureza, a
noite, o vinho tinto seco e o chocolate ou um café com biscoitinhos miúdos que
caibam inteiros na boca. Vícios, não mais do que a literatura, por quem sou
apaixonada. Ah, e música. Fundo musical de saxofone. Acho o saxofone um
instrumento musical completo, inspirador, imponente e ao mesmo tempo suave. Um
poema!
6 - AL: Quantas vezes você revisa seus textos antes de sentir que eles estão
prontos? Você mostra seus trabalhos para outras pessoas antes de publicá-los?
R: Leni: Reviso e reescrevo várias vezes.
Algumas vezes eu até paro de revisar, porque a cada leitura, algo se modifica.
E isso é normal, porque não somos mais os mesmos do momento anterior. Como
disse alguém, que não lembro quem disse, “homem e rio nunca são o mesmo”. No
momento seguinte você já é outra pessoa, outros sentimentos, no mínimo mais
evoluído. Então, eu reviso várias vezes sim, mas há um momento que é preciso
parar para não perder a essência. Sempre mostro a alguém antes de enviar à
editora. A opinião de pessoas que eu considero relevantes para meu trabalho,
leem meus escritos antes de serem publicados. Desde o primeiro, lá em 2001, que
foi até inusitado. Eu precisava de um parecer, além da minha filha e minha
amiga Stela Maris, lógico. Então, na cidadezinha onde eu morava, havia na época
ainda o costume do “médico da família”. Ou seja, o médico, amigo da família,
era o que atendia o telefone até às madrugadas se fosse necessário. O da minha
família era o Dr. Roberto Arroque, que prefaciou meu primeiro livro lançado em
Sinop, As Cores e os Amores, e é irmão da Maria Amélia Arroque que ilustrou o
livro, juntamente com o artista plástico cuiabano, Adriano Ferreira. Na cidade,
à época, considerei o Dr. Roberto a pessoa ideal, cujo nível cultural é acima
da média, pelas vezes que tive oportunidade de conversar com ele em
atendimentos clínicos e em encontros de família. Ao me devolver o boneco
revisado, constatei que ele não havia feito nenhuma observação, nenhuma ressalva.
Então o questionei, perguntando se ele não considerou que nossa cidade era
pequena, de cultura ultra conservadora, que eu era casada, com filhos,
professora e diretora de escola, e havia poemas cuja interpretação poderia ser
mais julgamento do que leitura de poesia. A resposta dele foi: “Você quer
escrever para Serafina Corrêa ou para o mundo?” Decidi publicar sem mexer em
nada. E deu certo. Sei que sou lida no mundo, porque minha experiência em Nova
Iorque foi maravilhosa, onde foi lançado também, em 2018, outro livro, em
conexão online com Sinop. Uma experiência inusitada para quem participou. Agora
meu livro infantil foi traduzido para o inglês e já está sendo distribuído na
Europa. Esse conceito de “escrever para o mundo” foi importante recebe-lo no
início, pois me manteve nessa energia, de escrever para o mundo. Se o meu
vizinho de porta não gostar, quem mora do outro lado do oceano poderá gostar.
Jamais conseguiremos agradar a todos e críticas sempre haverá. Pra frente que
atrás vem gente (risos)!
7
- AL: Quais escritores influenciaram o seu processo de criação literária, desde
o início?
R:
Leni: Eu acredito que escritores não me influenciam. Eu tenho meu próprio
estilo. Não me apego muito a escrever desse ou daquele modo/estilo. Como disse
anteriormente, eu gosto de ler e da forma com que alguns escritores escrevem,
como os que li bastante e já citei: Érico Veríssimo, Jorge Amado, Vinícius de
Moraes e Pablo Neruda. Gosto bastante também e li muito na minha juventude,
Khalil Gibran, Julio Verner, Eduardo Galeano, Leiv Tolstói, Martha Medeiros,
Elisa Lucinda, Adélia Prado. Conheci aqui em Mato Grosso o apaixonante Manoel
de Barros e li um livro do Eduardo Mahon, cuiabano, que me agradou sua escrita.
Há outros, com certeza, que não me vem à memória agora e muitos outros que eu
leio porque gosto; obviamente se tornam referência para a boa escrita, não
necessariamente o mesmo estilo.
8 - AL: Quais são os seus próximos projetos literários?
R: Leni: Essa é uma pergunta é
interessante. Meu maior projeto, por isso a longo prazo, é escrever um romance.
Talvez por ter assistido a muitos filmes e lido muitos romances, eu idealizo
até o ambiente em que eu vou estar para escrevê-lo. É bem peculiar. Para isso,
eu devo me liberar de alguns compromissos ainda hoje necessários. Já a curto
prazo são vários os projetos. Entre eles, concluir a série de livros infantis,
que é de 5 volumes e só escrevi 1; uma antologia pessoal, com poemas escolhidos
entre todos os livros que já publiquei até o momento – quem sabe esse seja o
bônus que ganharei da Ações Literárias por participar por 12 meses no projeto;
seguir registrando a saga das guerreiras pioneiras de Sinop.
9
- AL: Quais são seus escritores / livros favoritos?
R: Leni: Acredito que favoritismo é um
tanto quanto segregador. Prefiro dizer que são meus amigos porque me vem à
memória com mais facilidade. Então, dos que citei, posso dizer que gosto
bastante do Tolstói, do Gibran e da Martha Medeiros.
10
- AL: Qual obra sua que você gostaria de destacar?
R: Leni: Opa, pergunta que todos fazem,
inclusive em entrevistas ao vivo, na televisão. Essa pergunta é boa e deve ser
feita, porque é uma real curiosidade do público leitor e deve ser dada a
resposta autêntica de cada escritor. A minha é dizer que, para mim, é como se
perguntassem qual é meu filho preferido. Não há. Cada um é um e com seu igual
valor e amor dedicado. Amo todos. Os brancos, os ruivos, os morenos, os de
cabelo longo, os carecas, os calminhos, os hiperativos. Para quem tem filhos
acredito que entenderá. Filho é filho. E livro é livro. Já, o que está dando
bastante bandeira, se exibe e está de vento em popa é o infantil, cujo enredo é
a história de 3 meninas que moram na roça e uma delas tem medo de manequim de
loja. Esse é o volume 1, que termina provocando o leitor para lei o volume 2,
que ainda não escrevi, onde as meninas e sua família deixarão a roça para morar
na cidade. Já tenho os personagens e o enredo. Falta registrar e publicar.
Acredito que esse livro está em evidência também por suas aquarelas, coloridas
e vivas, criadas na essência do texto pela ilustradora dos meus livros desde
2001 e que tem a habilidade do traço e o dom da interpretação do texto escrito
em imagem, Adriana Maria Cofcewicz, arte-educadora e amiga, do Rio Grande do
Sul
11 – AL: O que você acha que mudou no seu processo de escrita ao longo dos
anos? O que você diria a si mesma se pudesse voltar à escrita de seus primeiros
textos?
R: Leni: O que melhorou foi visivelmente a estrutura dos textos e o
conteúdo, cada vez mais complexo e reflexivo. Como falei, nunca somos os
mesmos; o meu momento seguinte já sou outra pessoa. Já o mudar o que escrevi,
jamais. Se o fizesse, não teríamos a oportunidade de testemunhar a caminhada. E
a caminhada é o sentido de tudo. Obviamente que isso é diferente de dizer que,
se eu pegar agora os mesmos poemas, eu não os modificarei em alguma coisa.
Tenho certeza que sim, pelo argumento anterior. Que eu acredito que acontecerá
em minha antologia pessoal. Mas, na essência, naquela edição, nada eu mudaria.
Lá eu me vejo cru, verde, amadurecendo, evoluindo. E ver isso é por si só um
aprendizado, com sua própria obra.
12 - AL: Qual dica você deixaria para escritores iniciantes, com base em
suas próprias experiências?
R: Leni: Fiz essa pergunta para Lya Luft, em 1983, na 1ª Jornada de
Literatura de Passo Fundo, quando hospedamos escritores em nossas casas a fim
de viabilizar o evento. São lembranças marcantes, e essa pergunta me remete
àquele momento. Lya respondeu: “Escreva! Não pare de escrever”. Eu não entendi
muito bem na hora, porque foi uma resposta nada prática. Hoje eu compreendo.
Chegou o tempo delas. Ou seja, para quem quer ser escritor, escreva. Isso é
fundamental. O tempo/momento de publicar, aparece. Já, se eu puder acrescentar
algo, com base em minha caminhada e ao mesmo tempo conhecimento do mercado
literário, inicie participando de coletâneas, como essa. Por isso eu parabenizo
a iniciativa da Ações Literárias. Essa proposta poderá se tornar uma pista de
decolagem para muitos escritores até então no anonimato. Perceba que, para
isso, você precisa ter escritos. Ou seja, se dei a dica de participar de
coletâneas, você precisa ter produto. E, obviamente o básico: leia! Leia muito.
A leitura é o melhor professor do escritor. Veja que eu disse “a leitura”, não
“outros escritores”. Porque, cada um deve construir sua literatura, seu estilo,
seu conteúdo, seu “livro/poema/conto/romance”. Ele não precisa, e acho que nem
deve, se parecer com o de fulano ou ciclano. Seja você! Com essa dica de
publicar em Antologias, quem sabe você não demore tanto quanto eu entre a dica
da Lya Luft e a publicação do meu 1º livro que foi quase 20 anos.