quinta-feira, 17 de outubro de 2013

CIDADE DO MÉXICO GANHA DESTAQUE COM GESTÃO AMBIENTAL EFICIENTE

Através de estratégias sustentáveis, a cidade pretende implantar tecnologia de gestão ambiental para melhorara a qualidade do ar e construir casas de plástico.

A cidade do México projetou o “Plano Verde”, que deve ser concluído até 2021, com estratégias divididas em temáticas como: conservação do solo, habitação e espaço público, água, mobilidade, qualidade do ar, resíduos sólidos, mudanças climáticas e energia. A cidade que já foi a mais poluída do mundo, em 1992, desde então trabalha para mudar este cenário.


A Cidade do México, é a terceira capital mais populosa do mundo segundo a ONU, com um pouco mais de 20 milhões de habitantes distribuídos em 1.485 km² de extensão, ela também já foi considerada a mais poluída do planeta devido à localização geográfica e o alto índice de poluição emitida pelos carros. Durante décadas, a prefeitura buscou melhorias não só na qualidade do ar, mas também em outros setores do desenvolvimento da cidade como transporte, eficiência energética e construções sustentáveis.

Foto: Guillermo Gonzalez/AFP

A cidade do México foi considerada a mais poluída do mundo em 1992, segundo a ONU por três motivos relevantes. O primeiro deles é a concentração das indústrias dentro da região metropolitana. O segundo é devido aos carros da época não possuírem catalisador, sistema que regula os gases tóxicos emitidos, pois dessa forma os veículos jogavam no ar grande quantidade de chumbo, substância que é resultado da queima da gasolina. O terceiro é a localização da cidade, por estar a 2.200 metros de altitude, os níveis de oxigênio nesta altura são baixos, o que gera maior densidade da camada de poluentes que pairam no ar.

As primeiras causas para que fossem criadas medidas que visam a melhoria de vários aspectos da capital mexicana estavam diretamente relacionadas à saúde da população e a qualidade do ar. Para amenizar estes impactos ambientais, em 2007 o governo municipal lançou o “Plano Verde” que pretende, até 2021, atuar com 26 estratégias em 113 estruturas da cidade, dentre elas na revitalização de espaço público, tratamento de água, mobilidade, qualidade do ar, resíduos sólidos, mudanças climáticas, eficiência energética e conservação do solo.

Um dos objetivos principais do “Plano Verde” é reduzir as emissões de CO2 em cerca de 4,5 milhões de toneladas por ano. Grande parte tem origem no sistema de transporte público, que contribui com 1,8 milhão de toneladas anualmente.


Redução da poluição do ar

Implantação do rodízio de carros. Foto: jie.itaipu

Com o objetivo de intensificar as ações ambientais para resolver a questão da poluição do ar, o “Plano Verde” colocou em prática um projeto de rodízio de carros que já tinha começado em 1992. Pelas ruas da Cidade do México é proibida a circulação em dois dias da semana e no sábado das 05h às 22h.
Há 20 anos a prefeitura já trabalhava para driblar os efeitos dos gases poluentes. Por isso criou a inspeção veicular, sistema de análise que verifica as condições de emissão de poluentes.
Ainda para amenizar a demanda de poluentes vindas da frota de mais de 10 milhões de veículos pela cidade, uma das alternativas criadas veio por parte do governo federal, que elaborou leis ambientais para diminuir os gases do efeito estufa até 2020, em cerca de 30%.

Dentro das ações de desenvolvimento sustentável, surgiu em 2008 o Programa de Ação Climática da Cidade do México para analisar como as práticas humanas afetavam o clima local. Em novembro de 2010 apareceram os primeiros resultados positivos. O prefeito Marcelo Ebrard, também presidente do Conselho de Mudanças Climáticas, fez mais de 200 cidades assinarem um documento que firma acordo referente à divulgação das emissões de poluentes e o compromisso de trabalharem para reduzi-las.


Mobilidade urbana

 
Ciclovias na cidade do México. Foto: au.pini


Para incentivar a prática de esportes e diminuir os índices de gases poluentes provenientes dos veículos, o governo investiu em mobilidade urbana com uma estrutura adequada para as bicicletas. Ao todo são 100 km de ciclovias permanentes pela Cidade do México. Aos domingos, boa parte das ruas do centro viram ciclovias e o número sobe para mais 24 km de área própria para pedalar. 

Para Pedro Camarena, arquiteto e especialista em mobilidade urbana na Cidade do México, segundo entrevista concedida para o Jornada Ecológica, “o governo deve estabelecer a infraestrutura para o ciclismo em diferentes áreas para que cidadãos comecem a acreditar na mudança e assim participar mais”.

Na cidade também funciona, desde fevereiro de 2010, outro projeto de mobilidade urbana, o Ecobici, sistema de empréstimo de bicicleta criado pela prefeitura. Para usar o serviço é preciso se cadastrar no site do programa e pagar uma tarifa inicial equivalente a R$ 28 reais. Depois que o sistema identificar o pagamento e o cartão chegar na residência do usuário é só se dirigir as várias estações pela cidade para começar a usar as bicicletas.

Sistema de compartilhamento de bicicletas Ecobici. Foto: gcom

A iniciativa das ciclovias e inclusão das bicicletas como meio de transporte da metrópole rendeu o Prêmio de Transporte Sustentável 2013 pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP, em inglês) dos Estados Unidos, órgão que analisa os projetos de transporte das cidades ao redor do mundo. Na edição do ano passado o mesmo prêmio foi compartilhado pelas cidades de Medellín, na Colômbia e São Francisco, nos Estados Unidos.

A capital mexicana também investiu em transporte coletivo com a criação do Metrobus, ou BRT (Ônibus de trânsito rápido, em inglês), que custou aos cofres públicos o valor de mais de US$ 2 bilhões na expansão do projeto. Cada viagem neste meio de transporte sai no valor de $ 16 pesos mexicanos, cerca de R$ 2,82.

Metrobus da cidade do México. Foto: embragbrasil

No setor de transporte foi realizada uma expansão de 350% do sistema de mobilidade urbana com a criação de novas linhas e a modernização de 84 mil taxis e micro-ônibus. De um modo geral, as iniciativas favoreceram o avanço de forma integrada.


Aquecimento Solar

Os prédios públicos da cidade buscam a certificação LEED através da implantação de aquecimento solar. As medidas de eficiência energética como a troca das lâmpadas incandescentes por fluorescentes mais econômicas também fazem parte do “Plano Verde”.


Política de Resíduos Sólidos

Outra meta do “Plano Verde” está ligada à política de resíduos sólidos, que estabelece normas para a reciclagem. O incentivo ao gerenciamento de embalagens e materiais recicláveis e a utilização de produtos biodegradáveis e/ou recicláveis são para minimizar os impactos no meio ambiente. A medida também prevê reciclar no mínimo 79% dos resíduos. Por isso mais usinas de reciclagem serão construídas e a inserção de campanhas de educação ambiental nas escolas e meios de comunicação estão no projeto.

Foto: razon


Casas construídas com plásticos


No México, mais de 4.500 toneladas de plásticos são descartados e cerca de 90% dos resíduos sólidos vão parar nos lixões, segundo informações do portal de notícias Último Segundo. Para dar um destino útil aos materiais recicláveis, uma empresa de reciclagem de Guadalajara – município ao noroeste da Cidade do México – recicla 40 toneladas de resíduos em placas plásticas que podem ser usadas na construção sustentável.

O material pode ser transformado em placas usadas na construção de casas populares para abrigar 50% da população mexicana. Uma pequena casa de 55 metros quadrados sai no valor de R$ 10 mil.


Eficiência energética

Uma das diretrizes do “Plano Verde” é tratar o lixo orgânico como fonte de energia. O projeto ainda pretende usar 85% desse material orgânico na produção de eletricidade através da queima de biomassa.

Segundo informações do portal El Economista, em setembro de 2012, Fernando Aboitiz, chefe do Ministério das Obras e Distrito Federal – órgão que administra o lixão Bordo Poniente –, disse que são investidos US$ 450 milhões anualmente para levar os resíduos para outros aterros e tentar reaver a proposta feita pelo governo municipal em 2011, de fechamento do lixão. Entretanto, o Bordo Poniente atua na esfera de produção de biogás na cidade. O lixão é responsável por produzir 80 milhões de toneladas de lixo anualmente, e consequentemente, milhões de metros cúbicos de gás metano. Para o colunista José Tamargo, do jornal El Universal, da Cidade do México, o gás pode ser usado em outros serviços públicos da cidade, sendo uma alternativa para mitigar o impacto ambiental do lixão na cidade.

Aterro de Bordo Poniente. Foto: razon




Áreas verdes


A capital mexicana também investiu na expansão e revitalização dos parques e, atualmente, as áreas verdes correspondem a 42% do total do município, dentre eles estão o Alameda Central e o Plaza Tlaxcoaque.


Bosque de Chapultepec. Foto: Uol


Para contribuir com o ar mais limpo na atmosfera, a prefeitura também vai implantar jardins nos telhados de prédios e residências. A meta é alcançar nove metros de área verde por morador.

Atualmente o governo da capital plantou mais de 16.000 m² de jardins nas coberturas de seus edifícios. Desde 2011, para incentivar os cidadãos a fazerem o mesmo, é oferecido 10% de desconto no IPTU (imposto sobre a propriedade predial territorial urbano) para que os moradores criem terraços verdes nas suas casas.

Perto do centro da Cidade do México existe um enorme jardim vertical com 55 mil plantas, que são responsáveis por produzir oxigênio e ajudar a reduzir os índices de CO2, gás metano e outros poluentes emitidos pelas indústrias e veículos.


Jardim vertical no centro da Cidade do México. Foto: ressoar



Educação ambiental em segundo plano


Foto: gcom

A cidade do México mostrou que o empenho de políticas públicas para salvar o meio ambiente gera resultados a longo prazo. Foram necessárias quase duas décadas, desde 1992, para o governo entender a necessidade de planos emergentes ligados à sustentabilidade. Ciclovias, bicicletas de aluguel, telhados verdes e casas de plástico ilustram as iniciativas que deram certo.

Entretanto, no meio de tanta novidade, a implantação dos conceitos de educação ambiental ficou um pouco esquecida, o que não deveria fazer parte do cenário, pois para tornar uma cidade sustentável é preciso que a sociedade também esteja integrada na responsabilidade ambiental e saiba usar com consciência os recursos naturais do planeta.

A ideia que a Cidade do México vendeu foi de que a tecnologia dá um jeito para tudo, sem que o cidadão precise compreender sobre a vida útil dos recursos naturais. Uma alternativa para fazer com que a sociedade passe a adotar medidas sustentáveis no seu cotidiano é investir em planos de educação ambiental, com o objetivo de criar uma conscientização ecológica prolongada, que não dependa das facilidades oferecidas pelos diversos métodos atuais de gestão ambiental.


A Cidade do México conseguiu contornar o problema da poluição do ar com medidas inteligentes e simples. Confira, no dia 23 de outubro, a história de mais uma cidade sustentável que conseguiu transformar o rio, antes totalmente poluído, em um local de lazer em que é possível pescar salmão em sua água límpida.

Fonte: www.pensamentoverde.com.br


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

VÔO INDEPENDENTE



O corpo cansado.
A mente, também.
Quero colo.
Quero teu colo.
Preciso um carinho
de quem me quer bem.

Preciso um chuveiro,
banheira com mel,
lençóis brancos
e muito tempo...

Tempo pra mim.

Com você!

 Leni, 2004
Antologia AGEI


terça-feira, 15 de outubro de 2013

PROFESSOR DA ERA DIGITAL


A escritura vem para sarar uma ferida. Ostra feliz não faz perola.
Ostra para criar perola, faz sofrer. Escrevo para parar de sofrer.
Rubem Alves

Era digital. Idade da mídia. Duas palavras-chaves presentes em 99 % das manifestações acadêmicas, científicas, informais. Para o Dia do Professor, como se não fossem todos os dias, a regra.

Especificamente neste momento da história do Brasil, o tema mais evidente seria “a greve dos professores”. E será, neste parágrafo, para provocar o leitor a acompanhar não apensa o movimento dos profissionais da educação, mas também todos os outros movimentos - os que levantaram a voz a partir do mês de junho deste ano; os que optam pelo anonimato, não menos importantes e potentes; os remotos; os ...

Os apontamentos que seguem não tem a pretensão de se configurar em receita, e sim em oportunidade para debate e provocação.


Considerando lidos, ouvidos e vividos, pode-se inferir que:

1. Tecnologias sempre fizeram parte da vida das sociedades humanas desde a pedra lascada. O que temos hoje são tecnologias digitais. Tecnologias inovadas, que nos conectam ao mundo, em rede, em espaços virtuais, em hipertextos, etc. São, para o habitat educacional, novos espaços de aprendizagem e ferramentas importantes.
2. O dia a dia do “aluno” hoje está imerso em tecnologias digitais. Ele leva para a sala de aula recursos mais atraentes, inovadores, “possibilitadores” do que muitos professores. E a essas ferramentas focam a atenção.
3.     Os recursos didático-pedagógicos digitais contribuem, auxiliam o processo de ensino-aprendizagem, tornando-o mais dinâmico, mais atraente. O entendimento do conteúdo, por parte dos alunos, com objetos digitais, fica mais fácil. No livro, o conteúdo esta limitado a um texto e uma fotografia. Sendo o aluno de hoje de um contexto digital, os recursos didático-pedagógicos digitais motivam para os assuntos mais complexos como a matemática, a física, a química. As animações complementam explicação do professor. Favorecem mostrar um fenômeno sem entrar em contato com substâncias perigosas ou tóxicas
4.    Contudo, uma pratica pedagógica que pretende atingir objetivos traçados com eficiência não se limita a um único recurso, mesmo que esse seja a mídia digital. É necessário lançar mão de diversos recursos: livros, lousa, vídeos, internet, outros.
5.  O principal desafio do professor hoje, portanto, é inovar. Inovar na “transmissão” do seu conhecimento, inovar para “saber” receber conhecimento. Inovar para, juntos, “construir” conhecimento. Ele precisa inserir o digital em sua pratica pedagógica da mesma forma que insere seu livro didático ou outra ferramenta pedagógica. Acima de tudo, o professor não pode ter medo do novo.
6.    Práticas da profissão “professor” não estão abolidas com a era digital, como o planejamento. O sucesso de uma aula com a presença de tecnologias digitais se dá por diversos fatores, entre eles e bastante importante, o planejamento. O professor precisa ser um pesquisador.
7.    Se as teorias da aprendizagem afirmam que o interesse e o envolvimento do aluno fazem parte do sucesso escolar, o professor da era da mídia tem a oportunidade de testemunhar esse fenômeno ao mostrar ao aluno que ele tem autonomia para usar todos esses recursos digitais para complementar, aprofundar, melhorar sua aprendizagem. Não depende mais apenas do professor.
8.    É próprio do ambiente escolar alguns alunos e professores desenvolverem cumplicidades. A linguagem de rede social, própria do aluno da era digital, antes de representar perda no processo ensino aprendizagem, pode aproximar professor e aluno. O aluno confia mais em uma pessoa com a qual ele “parece” se identificar. Assim, a comunicação entre professores e alunos através das redes sociais, faz com que o aluno tenha a sensação de que o professor “aceitou” em sua tribo.


O exposto é simples. A proposta para a escola do século XXI é mais complexa. Os ambientes de aprendizagens são diversos, assim como as mentes. O importante é que esses espaços diversos, e abertos, estão abrindo mentes, diversas.

Quem viver, verá!

Seria em verdade uma atitude ingênua que as classes dominantes desenvolvessem
uma forma de educação que permitisse às classes dominadas
perceber as injustiças sociais de forma crítica.
Paulo Freire.





Homenagem a todos os professores e professoras que participaram da minha trajetória de estudante, que continua, e a todos os professores e professoras do mundo.

Homenagem especial a quem me alfabetizou para as letras e para o mundo: minha mãe! 




Minha professora na 1ª série: Maria Paula Taufer Chiarello.
Obrigada, mãe e professora!


sábado, 12 de outubro de 2013

A IMPORTÂNCIA DA OBEDIÊNCIA X A DROGA DA OBEDIÊNCIA: o debate






Quando guri, eu tinha de me calar, à mesa: só as pessoas grande falavam. 

Agora, depois de adulto, tenho de ficar calado para as crianças falarem.

Mário Quintana





É por isso que mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas, sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em pratica suas ideias.
Immanuel Kant






Criança é esse ser infeliz que os pais põem para dormir quando ainda está cheio de animação e arranca da cama quando ainda está estremunhando de sono.
Millòr Fernandes.



É ?



No amor de uma criança tem tanta canção para nascer, carinho e confiança, vontade e razão de viver. O professor não ensina, mas arranja modos de a própria criança descobrir. Cria situações-problemas. Quando olho uma criança ela me inspira dois sentimentos: ternura pelo que é e respeito pelo que posso ser.
Jean Piaget






Não eduques as crianças nas várias disciplinas recorrendo à força, mas somo se fosse um jogo, para que também possas observar melhor qual a disposição natural de cada um.
Platão


Profissão, Professor







Quem foi monteiro Lobato?
Qual o recado (PARA OS ADULTOS) em “Reinações de Narizinho”?



O Direito das Crianças

Toda criança no mundo
Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida.

Criança tem que ter nome
Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome
Ter segurança e estudar.

Não é questão de querer
Nem questão de concordar
Os diretos das crianças
Todos tem de respeitar.

Tem direito à atenção
Direito de não ter medos
Direito a livros e a pão
Direito de ter brinquedos.

Mas criança também tem
O direito de sorrir.
Correr na beira do mar,
Ter lápis de colorir...

Ver uma estrela cadente,
Filme que tenha robô,
Ganhar um lindo presente,
Ouvir histórias do avô.

Descer do escorregador,
Fazer bolha de sabão,
Sorvete, se faz calor,
Brincar de adivinhação.

Morango com chantilly,
Ver mágico de cartola,
O canto do bem-te-vi,
Bola, bola,bola, bola!

Lamber fundo da panela
Ser tratada com afeição
Ser alegre e tagarela
Poder também dizer não!

Carrinho, jogos, bonecas,
Montar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas,
E uma corda de pular.

Ruth Rocha











DIA DA CRIANÇA


O estudo em geral, 
                         a busca da verdade e da beleza 
                                                                  são domínios em que 

nos é consentido ficar crianças toda a vida.
Albert Einstein




Sou uma mulher madura
que às vezes anda de balanço.

Sou uma criança insegura
que às vezes usa salto alto.

Sou uma mulher que balança.

Sou uma criança que atua.

Marta Medeiros

domingo, 6 de outubro de 2013

SOBRE ESTAR SOZINHO ...



Flávio Gikovate


Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, não mais uma relação dedependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência e pouco romântica por sinal. 


A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente. Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.

O homem é um animal que vai mudando o mundo e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade.

Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. 

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.

Muitas. vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.


O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo. 


TRANSTORNO



MANAUS: A direção da agencia Bradesco Parque 10, Conjunto Castelo Branco, zona centro sul, resolveu acabar com o “transtorno” de ter mendigos dormindo debaixo da marquise do prédio.

A estratégia foi fixar pedras pontiagudas na calçada, tornando a ocupação de moradores de rua impossível.

Fonte: Anonymus Brasil

O que achou dessa ideia?

Deixe seu comentário, por favor.

Obrigada.

Narrativas de Distopia: Reflexões sobre o Mundo Atual na Ficção

1. O Reflexo Distorcido: Distopias servem como espelhos distorcidos da sociedade atual. Ao explorar mundos sombrios e opressivos, os escrito...