domingo, 1 de março de 2015

FASES




Em momentos de germinação,
é dor e contemplação.
A ação é estéril ou assassina.
A vida é mais, em muito.
Do que foi escrito, saudade!
Nas páginas em branco, esperança!
Leni, 2015





quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A ILUSÃO DO MIGRANTE


Quando vim da minha terra,
se é que vim da minha terra
(não estou morto por lá?),
a correnteza do rio
me sussurrou vagamente
que eu havia de quedar
lá donde me despedia.

Os morros, empalidecidos
no entrecerrar-se da tarde,
pareciam me dizer
que não se pode voltar,
porque tudo é consequência
de um certo nascer ali.

Quando vim, se é que vim
de algum para outro lugar,
o mundo girava, alheio
à minha baça pessoa.
e no seu giro entrevi
que não se vai nem se volta
de sítio algum a nenhum.

Que carregamos as coisas,
moldura da nossa vida,
rígida cerca de arrame,
na mais anônima célula,
e um chão, um riso, uma voz
ressoam incessantemente
em nossas fundas paredes.

Novas coisas, sucedendo-se,
iludem a nossa fome
de primitivo alimento.
As descobertas são máscaras
do mais obscuro real,
essa ferida alastrada
na pele de nossas almas.

Quando vim da minha terra,
não vim, perdi-me no espaço,
na ilusão de ter saído.
Ai de mim, nunca sai.
Lá estou eu, enterrado
por baixo de falas mansas,
por baixo de negras sombras,
por baixo de lavras de ouro,
por baixo de gerações,
por baixo, eu sei, de mim mesmo,
este vivente enganado,
enganoso.


Carlos Drummond de Andrade




terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

HARMONIA



                Não somos únicos.
                Não somos especiais.
                Normais, odiamos e amamos,
                até o esgotamento dos dois.

                Todas as histórias, iguais,
                em telas naturais,
                são espetáculos únicos, especiais!

Leni, 2015

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

sábado, 20 de dezembro de 2014

QUE CADA DIA SEJA NOVO


Novo. Novo ano? Novas energias?
Nova casa? Novo carro? Novo amor?
Novo “o que?”

Cada dia. Que cada dia seja novo.
Novo por avançarmos na maturidade espiritual.
Que cada dia seja novo no despertar do coração.
Que cada dia seja novo no convívio com a “vida”, sem cartilhas,
sem rituais desnecessários, sem mantos “purificadores, libertadores” (?)!
 
Que cada dia seja de luz para o discernimento, para a sabedoria.
Que os pulinhos no mar e as sementes em patuás na virada de ano
não prevaleçam à consciência, à compaixão, ao cuidado, às virtudes!

Que o misticismo não prevaleça à espiritualidade.
Que a vaidade não prevaleça à solidariedade.
Que rituais exotéricos não prevaleçam à vida vivida no sentido real,
no simples de cada dia, na rotina do trabalho, no olhar dos colegas,
na súplica dos animais e da natureza, no colégio dos filhos,
no brinquedo das crianças, nas infâncias (roubadas),
nas mulheres violentadas, nos doentes ignorados...

Que cada dia seja novo para além da consciência cósmica,
para o fim do nacionalismo exagerado, para o fim do racismo.
Que cada dia seja novo nos sorrisos sinceros!
Na alegria!

Que trilhar a senda da luz signifique, nesse inicio de NOVO ANO,
compreender o ritual do coração, muito além dos rituais nos templos.
Viver o ritual do amor, muito além dos rituais doutrinários! 
Que a liberdade de expressão seja apreendida no sentido da tolerância,
que evita os combates.

Que o real sentido de “amai-vos uns aos outros” anunciado pelos cristãos,
da “alegria de viver” pregada pelos seguidores de Krishna,
do “respeito pelos outros” defendido pelo budismo e outras doutrinas,
supere o fanatismo intolerante e inútil.
Que a religião universal seja o amor.
O amor da compaixão e do respeito.
O amor, que não ameaça, que não ataca,
que não excomunga, que não briga por ideias.
O amor que briga sim, pela dignidade,
pelos direitos humanos, pela sustentabilidade do planeta,
pela vida em abundancia a TODOS.

Que seja novo, cada dia!

Feliz Natal.
Próspero e abençoado Ano Novo.
Leni Chiarello Ziliotto[1]







[1] Natural de Guaporé-RS. Em Sinop desde agosto de 2014. Escritora, Palestrante, Professora e Bióloga. 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

POEMA




Ele veio.
O poema inteirinho!
E sorriu.

Eu não tive tempo para ele.
Viveu um tantinho!
E morreu.

Leni, 2014