sábado, 14 de março de 2015

POEMAS




Poemas são construções

que faço

quando as emoções

não cabem mais


em meu peito!

Leni, 2015




POESIA


Um texto escrito com rimas,
com ritmo,
com melodia.

Poema.
Um texto colorido,
risonho,
medonho.

Poesia?
É diferente.
É o olhar!

Olhar de cada um
para a pessoa amada,
para o sorriso do bebê,
para o bichinho de estimação.

Poesia é o por do sol.
É o primeiro batom.
É a chuva fina de inverno.
É sentir frio de emoção.

Poema e poesia de mãos dadas?
A poesia em um texto é o poema!

Ou não.

Olhar!



Leni, 2014.


sexta-feira, 6 de março de 2015

MULHER


Imagem: Adriana Maria Cofcewicz


Menina mulher.
Mulher ainda moça.
Moça madura.
Mulher experiência.
Menina de trança.
Mulher sempre criança.
Mulher!

Obra de arte do bom artista
na forma de música,
                de pintura,
                        de poema,
                               de Iracema,
                                       de MULHER!
Assim musicada,
                desenhada,
                        declamada,
                               amada...
Sempre faltará
                uma nota,
                        um traço,
                               uma palavra,
                                       talvez um nada,
para representar a mulher
que alcançou a grande vitória
de estar ao lado do homem,
                        do seu homem,
                               de outros homens,
                                       de todos os homens,
sem competir,
sem excluir,
sem se diminuir,        
sem ultrapassar.
Aquela mulher
que entrou pra batalha
sem se masculinizar
nem vulgarizar.

Como abelha-mestra, vibra a mulher
em grandes conquistas fazendo a diferença,
metendo sua colher na panela da vida,
para dar ao mundo o toque mágico
da ternura que o faz paz
pela harmonia do equilíbrio,
        da força,
                do bom senso,
                        da maternidade.

Que Deus é Pai
e a Terra é Mãe!

Leni Chiarello Ziliotto, 2005.
(Do Livro O BRILHO DE ESTRELAS IMORTAIS – 2014)


domingo, 1 de março de 2015

FASES




Em momentos de germinação,
é dor e contemplação.
A ação é estéril ou assassina.
A vida é mais, em muito.
Do que foi escrito, saudade!
Nas páginas em branco, esperança!
Leni, 2015





quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A ILUSÃO DO MIGRANTE


Quando vim da minha terra,
se é que vim da minha terra
(não estou morto por lá?),
a correnteza do rio
me sussurrou vagamente
que eu havia de quedar
lá donde me despedia.

Os morros, empalidecidos
no entrecerrar-se da tarde,
pareciam me dizer
que não se pode voltar,
porque tudo é consequência
de um certo nascer ali.

Quando vim, se é que vim
de algum para outro lugar,
o mundo girava, alheio
à minha baça pessoa.
e no seu giro entrevi
que não se vai nem se volta
de sítio algum a nenhum.

Que carregamos as coisas,
moldura da nossa vida,
rígida cerca de arrame,
na mais anônima célula,
e um chão, um riso, uma voz
ressoam incessantemente
em nossas fundas paredes.

Novas coisas, sucedendo-se,
iludem a nossa fome
de primitivo alimento.
As descobertas são máscaras
do mais obscuro real,
essa ferida alastrada
na pele de nossas almas.

Quando vim da minha terra,
não vim, perdi-me no espaço,
na ilusão de ter saído.
Ai de mim, nunca sai.
Lá estou eu, enterrado
por baixo de falas mansas,
por baixo de negras sombras,
por baixo de lavras de ouro,
por baixo de gerações,
por baixo, eu sei, de mim mesmo,
este vivente enganado,
enganoso.


Carlos Drummond de Andrade




terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

HARMONIA



                Não somos únicos.
                Não somos especiais.
                Normais, odiamos e amamos,
                até o esgotamento dos dois.

                Todas as histórias, iguais,
                em telas naturais,
                são espetáculos únicos, especiais!

Leni, 2015

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014