domingo, 19 de junho de 2016

OPORTUNIDADE

Kandinsky (1866-1944)


Quem nasce e vive desprovido de “vez”,
deveria nascer sem memória e sem consciência!

É dor demais.



Bertil Nilsson




segunda-feira, 13 de junho de 2016

Ode ao meu amor




É laboratório a vida.
É vida a poesia.
É poesia eu em teu olhar.

Olhar verde-amarelo de outono.
Outono da vida que anuncia.
Anuncia-me em teu olhar.

Depois do inverno a primavera.
A primavera brilhará.
Brilho em teu olhar.

Fico aqui, antes do verão.
Verão amenizado pelo orvalho.
Orvalho do teu olhar.

Em estações da poesia, o amor.
O amor e as cores do universo.
O universo em teu olhar.


Amo te olhar!

Leni, 2015.   


domingo, 12 de junho de 2016

PAZ



Se eu pudesse agora
voaria sobre esse mundo real
só para ver a odisseia
da humanidade que não passa
de uma condição astral.

A regra, o metro, a rima...
Tudo a serviço da arte, da beleza.
Eu bebo um sabor
de vinho, de realeza.

A condição efêmera da arte
se estabelece de maneira imoral.
Olhos atentos vigiam.
E você não vive um minuto real.

Que pobre é esse homem
que tem o dinheiro como seu servo!
O orgulho e o poder temporário
consomem a felicidade de todos.

E pregam a paz!
Sem olhar para o mar, para o céu.
Sem ouvir o som da chuva.
Sem viver amores com cheiro forte de paixão.
Sem a arte da arte.


E pregam a paz.

Leni, 2015.

terça-feira, 7 de junho de 2016

CINEMA NO MATO


O Projeto Cinema no Mato fomenta o desenvolvimento do audiovisual em Mato Grosso através de cursos de edição de vídeo, de manuseio de equipamentos cinematográficos, filmagem, construção de roteiro, direção de arte, produção e desenvolvimento de curtas metragens de ficção e documentário.  O projeto escolhe o Estado de Mato Grosso por, além de ser composto por três grandes e importantes biomas: Pantanal, Cerrado e Amazônia; e por ser uma região com forte influencia agropecuária há necessidade de discutir sobre desmatamento, riquezas naturais e convívio em harmonia com o meio. Por isso, tem como objetivo a implantação de oficinas multidisciplinares de audiovisual em municípios do Mato Grosso e voltadas para jovens de escolas públicas entre 14 e 19 anos, disseminando cultura e estimulando o protagonismo jovem na produção cultural regional e desenvolvimento de profissionais capacitados a alimentar o mercado cultural em Mato Grosso. 


Ações do projeto Cinema no Mato

1.Realizar oficinas em 4 municípios do Mato Grosso:
1.Barra do Garças
2.Primavera do Leste
3.Poconé
4.Sinop
2.Formar 120 jovens no período de 1 ano.
3.Produção de 16 curtas nas 4 oficinas realizadas.
4.Como encerramento - Festival de Curtas Metragens com premiação para os melhores curtas, envolvendo as escolas participantes e a população local, fomentando o contato com a cena audiovisual local e promovendo uma descentralização da produção cultural do país.

PROGRAMA
Introdução à produção fílmica (2 aulas)
Introdução ao meio ambiente (2 aulas)
Roteiro (4 aulas)
Direção (4 aulas)
Produção (2 aulas)
Direção e Produção de Arte (1 aula)
Fotografia (5 aulas)
Captação de Áudio (2 aulas)
Edição (6 aulas)










SEMINÁRIO CINEMA NO MATO SOBRE MEIO AMBIENTE




No intuito de contribuir para produção de vídeos com temas ligados ao meio ambiente e para marcar as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no dia 05 de junho, no último sábado (04.06) aconteceu um seminário para os jovens que participam do projeto cultural Cinema no Mato. O evento contou com palestras de mestres e de especialistas em meio ambiente que abordaram os temas:
- Eliel Alves Ferreira, Analista de Meio Ambiente da SEMA Mato Grosso e engenheiro sanitarista com especialização em  Educação e Meio Ambiente, em Direito Ambiental e em Direito Ambiental Urbano: Bacia Hidrográfica - Unidade de planejamento e gestão dos recursos hídricos.
- Tiago da Silva Henika, biólogo e especialista em Educação Ambiental: Nascentes de Sinop e o uso da água.
- Cândida Lahis Mews, bióloga e mestre em Ciências Ambientais: Recuperação de nascentes: benefícios e diferentes técnicas. 
 O seminário contou com a brilhante apresentação da Ginástica Rítmica do Colégio Regina Pacis, sob a coordenação da técnica Flávia Zelinda Fernandes e as falas de abertura do engenheiro da Águas de Sinop, Marcos Vinícius Koller, da Secretária da Diversidade Cultural de Sino, Letícia Vireira, e da coordenadora do projeto Cinema no Mato em Sinop, Leni Chiarello Ziliotto.

Pessoas envolvidas no projeto Cinema no Mato e no seminário sobre meio ambiente:
Helida Parente – Assistente Social da Águas de Sinop.
Leticia Vieira – Secretaria da Diversidade Cultural.
Marli Volpato Stella – Coordenadora da Escola de Artes.
Leni Chiarello Ziliotto – Coordenadora e professora do Projeto Cinema no Mato em Sinop.
Matheus Prado – Professor no Projeto Cinema no Mato em Sinop.























terça-feira, 31 de maio de 2016

domingo, 29 de maio de 2016

O BRILHO DE ESTRELAS IMORTAIS Colonização...


[...]
O cajueiro floresceu quatro vezes depois que Martim partiu das praias do Ceará, levando no frágil barco o filho e o cão fiel. A jandaia não quis deixar a terra onde repousava sua amiga e senhora. O primeiro cearense, ainda no berço, emigrava da terra da pátria. Havia aí a predestinação de uma raça? Poti com seus guerreiros esperava na margem do rio. O cristão lhe prometera voltar. Todas as manhãs subia ao morro das areias e volvia os olhos ao mar a ver se branqueava ao longe a vela amiga. Afinal volta Martim de novo às terras, que foram de sua felicidade, e são agora de amarga saudade. Quando seu pé sentiu o calor das brancas areias, derramou-se por todo seu ser um fogo ardente, que lhe requeimou o coração: era o fogo das recordações acesas. A chama só aplacou quando ele tocou a terra onde dormia sua esposa; porque nesse instante seu coração transudou, como o tronco do jataí nos ardentes calores, e refrescou sua pena de lágrimas abundantes. Muitos guerreiros de sua raça acompanharam o chefe branco, para fundar com ele a mairi dos cristãos. Veio também um sacerdote de sua religião, de negras vestes, para plantar a cruz na terra selvagem. Poti foi o primeiro que ajoelhou aos pés do sagrado lenho; não sofria ele que nada mais o separasse de seu irmão branco; por isso quis tivessem ambos um só deus, como tinham um só coração. Ele recebeu com o batismo o nome do santo, cujo era o dia; e o do rei, a quem ia servir, e sobre os dois o seu, na língua dos novos irmãos. Sua fama cresceu, e ainda hoje é o orgulho da terra, onde ele viu a luz primeiro. A mairi que Martim erguera à margem do rio, nas praias do Ceará, medrou. A palavra do Deus verdadeiro germinou na terra selvagem; e o bronze sagrado ressoou nos vales onde rugia o maracá. Jacaúna veio habitar nos campos da Porangaba para estar perto de seu amigo branco; Camarão assentou a taba de seus guerreiros nas margens da Mocejana. Tempo depois, quando veio Albuquerque, o grande chefe dos guerreiros brancos, Martim e Camarão partiram para as margens do Mearim a castigar o feroz tupinambá e expulsar o branco tapuia. Era sempre com emoção que o esposo de Iracema revia as plagas onde fora tão feliz, e as verdes folhas a cuja sombra dormia a formosa tabajara. Muitas vezes ia sentar-se naquelas doces areias, para cismar e acalentar no peito a agra saudade. As jandaias cantavam ainda no olho do coqueiro; mas não repetiam já o mavioso nome de Iracema. Tudo passa sobre a terra.
José de Alencar

ARTE E VIDA




LIBERDADE
Escultura por Zenon Frudakis, na Filadélfia.









ESTUPROS



De bichos,
todos,
sabemos um pouco.

Às misérias,
internas,
maquilagem.

Para a ciência,
referência.
Complexidades.

Andamos des
ligados.
Imortalidade?

Nudez necessária,
desapegos.
(Des)humanidades.

Necessidades animais
frustradas.
Liberdade.

Linha
divisória.
Loucura e razão.

Leni, 2016.